Arquivo da categoria: Artigos

O que estamos chamando de democracia, Brasil?

caradepalhaco.jpg

 Por Indyra Tomaz

Depois de ser absorvido pelo Conselho de Ética, o presidente do senado Renan Calheiros (PMDB – AL) saí em silêncio do plenário, manifestando-se apenas momentos seguintes. Em seu discurso Renan diz a seguinte frase para o resultado de seu julgamento: “O resultado da votação de hoje é uma vitória da democracia, mas é também o momento de refletir sobre as perdas que esse processo político provocou”.

O senador fora absorvido por causa dos 40 votos contra a cassação diante dos apenas 35 a favor. Para que fosse “condenado” Renan precisava de 41 votos do plenário, fato que não aconteceu dando ao reú o direito de continuar no poder e, ainda, exercendo a mesma democracia que falou em outro momento. Então Brasil, o que é mesmo democracia?

É hora da revisão: segundo o dicionário Aurélio, vulgarmente conhecido como “pai dos burros”, democracia significa um governo de todos. Logo, as decisões tomadas dentro do território nacional deveriam ter a participação da população, afinal, foi a mesma quem elegeu o senhor Renan Calheiros. Mas, bem ao contrário ao que o presidente do senado afirmou quando disse que mais uma vez a democracia funcionou, isso de fato não aconteceu. Onde foi mesmo que o povo entrou? Será mesmo que era esse o resultado esperado pela população?A cara dos brasileiros está pintada de palhaço e as nossas leis só funcionam de acordo com o interesse de poucos.

Há exatos 2 anos atrás o nosso país funcionava no ritmo dessa tal democracia, pois pedia para que cada um dos brasileiros, já eleitores, decidisse sobre o desarmamento ou não da população. O nome dado ao ato foi o de Referendo. As campanhas publicitárias estavam por todo canto; rádio, televisão, Internet. O Governo pedia para que os brasileiros não deixar de votar. O povo foi lá e votou. Decidiu pelo não desarmamento. Mas será que essa não foi mais uma forma de maquiar a participação popular sobre a democracia?

Eita Brasil, mas uma vez atos de corrupção são absorvidos. A frase, “acabou em pizza”, anda sendo bem comum nos quadros políticos brasileiros. Os cidadãos brasileiros já estão acostumados. Dinheiro em cueca, ministros gastando a verba pública em casas de prostituição, são sanguessugas, corrupção das ambulâncias. A mídia pressiona, as manchetes diárias retratam toda a situação do Brasil. A gente brinca. Deixa que isso seja tema de programas de humor e, o pior, a gente senta, vê e desliga a televisão como se nada estivesse acontecendo. Mas a gente não participa. Nós estamos “menores” diante da situação.

No próximo ano teremos eleições municipais. O discurso eu até já posso vê: “faremos isso, lutaremos contra aquilo, trabalharemos às claras, seremos democráticos”; e mais uma vez irão usar a palavra democracia em vão. E a gente vai gostar de ouvir, porque temos a memória fraca para o que realmente é importante. Eles vão fazer programas de suas candidaturas com lindas imagens. Irão nos pedir desculpas e a gente vai aceitar, eles sabem que somos difíceis de lembrar. A imprensa, bem, para quem melhor pagar ela vai funcionar. Denúncias. Agressões. Eu já posso até vê. Agora, cuidado Brasil para não esquecer o significado da democracia.

Mas na verdade, sobre o que mesmo estávamos falando? 

 

Anúncios

Se a educação fosse tão vigiada como o futebol…

imagem.jpg

Por Indyra Tomaz

É ano de Copa do mundo. A seleção Brasileira de Futebol é a mais bem vista por todo o mundo, tanto pelo bom futebol, como pelos cinco títulos de campeã.Todo o cotidiano dos brasileiros é programado para que nenhum lance seja perdido. O banco fecha mais cedo. Os supermercados aproveitam a boa época e fazem ótimas promoções de cerveja e carne. Eles vendem tudo. O trânsito parece uma loucura, pois todos desejam chegar em casa cedo para vestir a camisa verde e amarela, colocar a cerveja pra gelar, ajeitar a sala e esperar os amigos chegar. É Copa do Mundo e a seleção brasileira vai jogar. E a emoção será total, afinal, os adversários são os argentinos.

É sempre assim em ano de Copa do Mundo ou quando a seleção brasileira joga. Os brasileiros ficam atentos a todos os detalhes, parecem rigorosos fiscais com o andamento dos jogadores, do técnico. Há questionamentos. O povo fica unido e veste a mesma camisa da situação. Há preocupação sobre todos os assuntos. E pior de tudo, para tanta euforia, as escolas também reduzem as suas aulas. O conteúdo, já reduzido naturalmente, fica ainda menor e limitado. A direção, os coordenadores, os professores, todos estão ansiosos para vê o jogo da seleção.

Já pensou se a educação fosse tão vigiada como o futebol é? Será que estaríamos vendo a Avaliação da Aprendizagem em conformidade com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB sendo tão debatida em comerciais do Governo Federal? Será que estaríamos diante de alto índice de evasão escolar? Essas e outras infinitas questões ficam sempre sem resposta.

A educação me deixa muito preocupada. Não, talvez não a educação, mas a falta de cuidado e atenção de nós, brasileiros, com ela. Ela está esquecida e os resultados desse esquecimento está sendo responsável pela aumento de crianças e adolescentes nas ruas, no tráfico, na prostituição, em todos os lugares, menos dentro da sala de aula.

Se o Ronaldinho troca de namorada, ou o Kaká tem um novo patrocinador, ou o Robinho está com problemas de saúde (não que ele esteja, é apenas um exemplo) todos os brasileiros sabem informar e ainda, dão palpite, participam e se preocupam se esses fatos irão deixar a equipe desestruturada no próximo jogo. E, ao lado de tal preocupação, a educação fica aqui repetindo mais um ano de mesmos problemas e falta de apoio.

É preciso dar mais tempo para a educação atuar. Colocar a falta de interesse das autoridades e da população para escanteio. O juiz, nós brasileiros, precisa ser mais rígido e atencioso com as faltas que estão passando sem serem percebidas. Alguém, senão todos, tem que vestir a camisa de apoio e, cada um fazer o papel de técnico. Chamar a atenção. Saber porquê está faltando livros e sobrando violência nas escolas. Gritar. Xingar se for preciso. Querer o melhor do time (crianças, adolescentes, professores, pais). Criar boas jogadas, para que em vez de termos o final da partida, construirmos um começo com o melhor time.

O problema já está sendo apontado. A educação anda com dificuldades para se reconhecer. As escolas já não sabem como caminhar sem as famílias. Então vamos olhar com dedicação para essa seleção, onde os jogadores estão cansados de esperar por uma torcida que nunca está presente. Por um Governo que parece ter outras prioridades, como acordos internacionais e, principalmente, por cada um que é brasileiro e que sofre com esse abandono.