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A MINHA INFÂNCIA DOS ANOS DE 1990 – PARTE IV

Por Indyra Tomaz

FILMES

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Por Indyra Tomaz

FILMES

Pegue a pipoca. Sente no sofá de sua casa. Sinta a emoção dos clássicos filmes que marcaram e marcam a infância de muitas crianças. Eles são desenhos caprichados, parecem ser reais e têm histórias que emocionou e que emociona um grande público. Mas um detalhe é muito importante sobre as imagens das telonas, não eram e nem são apenas crianças os únicos telespectadores.

A produtora de animação, Disney, sempre teve um público bastante eclético em todas ou quase todas às suas criações. Crianças, jovens e adultos paravam e acompanhavam as histórias que apresentavam muitas cores, alegria e morais de fazer qualquer um chorar. Animações com bichos e contos de fadas são os destaques da Disney.

Na lista dos sucessos de animações destacam-se: Branca de Neve, A Bela Adormecida, 101 Dalmatas, Aladim,Cinderela, Dumbo e o inesquecível Rei Leão. O último ganhou uma trilogia emocionante onde narrou, em sua primeira versão, o início de tudo. Na segunda, o reinado de Simba e na terceira, e última, a amizade entre Simba, Timão e Bumba (leão, suricate, javali).

Em minha penúltima reportagem sobre a infância dos anos de 1990 a mágica do cinema vai encontrar espaço e, claro, encantar a você leitor ou leitora do meu blog. Eu peço licença a todas as regras do meu tão amado jornalismo e declaro o meu amor pelas animações da Disney, em especial, O Rei Leão I.

A minha infância foi maravilhosa. Eu participei de cada momento que descrevi aqui para vocês. Corri muito. Cantei. Sonhei em ser uma chiquitita. Não perdia a nenhum desenho animado. Adorava correr na rua vestindo aquelas minhas calcinhas de babados e ouvindo “painho” mandar eu entrar. Eu tomei banho nas bicas formadas quando chovia. Eu adorava programas caseiros. Eu assistia Disney.

No fantástico mundo da Disney eu vi a animação O Rei Leão I. Dificilmente eu irei esquecer daquela música que marca o nascimento do príncipe Simba. De todas as lições de vida. Das minhas lágrimas quando o pai do Simba é covardemente assassinado por seu irmão objetivando o reino. E, é claro, do momento em que Timão (suricati) e Bumba (javali) conhecem o príncipe Simba cantando a música Racuna Matata. Acho que vou até chorar. Ou quem sabe me levar e cantar: “Racuna Matata isso é viver. É aprender. Racuna Matata”.

A animação O Rei Leão I está completando dez anos. Desde seu lançamento nos cinemas, o que causou na Disney bastante receio em relação a época, o filme O Rei Leão era uma história totalmente original, mas sem qualquer relação com o público.

Só que a história inicial do Rei Leão não foi tão linda como na animação. A idéia de um filme que tem como protagonista animais, causou muita polêmica, até mesmo, na própria Disney. Muitos executivos, incluindo o ex-“cabeça” da animação Disney Jeffrey Katzemberg, acreditavam que tal história não iria interessar o público. A rejeição a história foi tão grande, que o produtor Don Hahn teve problemas para convencer os artistas do estúdio a participarem na produção, sendo que, na verdade, a idéia de O Rei Leão seria para um segundo plano. Em primeiro estaria o filme Pocahontas. Contrariando a falta credibilidade na animação, O Rei Leão colocou em caixa mais de 300 milhões duas seqüências, uma série de TV e milhões de cópias vendidas depois

A MINHA INFÂNCIA DOS ANOS DE 1990 – PARTE III

Por Indyra Tomaz

DESENHOS ANIMADOS E SÉRIES

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Pela manhã, nos programas infantis, ou nos fins de tarde era certa a audiência das crianças para vê os desenhos animados e as séries. Elas sabiam de cor quando iam começar os desenhos só ouvindo a introdução das músicas. Era uma concentração certa. Ficavam sentados no sofá. Deitavam no chão. Sempre procurando a maneira mais confortável para assistir às programações preferidas. Entre muitos desenhos e séries que se destacaram existem pelo menos uns seis, ou mais, que jamais serão esquecidas. E mais, alguns ainda estão no ar.

Caverna do dragão, Doug, Power Ranger, Pink e Cérebro, Jaspion, Ninja Jiraya são clássicos da infância dos anos de 1990. Eles passavam em emissoras diferentes, mas de forma bastante organizada, em horários opostos. Com isso, era certa a presença das crianças em frente à televisão.

Os personagens dos desenhos animados e das séries eram trazidos para a realidade. As crianças interpretavam e sonhavam em conhecer todos aqueles “amiguinhos” de televisão. Cantavam as músicas das aberturas. Faziam os pais comprar tudo o que estivesse relacionado aos personagens. Parecia uma grande febre. Em época de carnaval era certo encontrar crianças fantasiadas de Jaspion, Ninja Jiraya, Power Ranger. Elas adoravam parecer com seus ídolos de infância.

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“Os que eu mais gostava eram os do mal”, afirma Livia Moreira, estudante de publicidade,19, quando lembra do desenho Ursinhos Carinhosos, seu preferido. Mas além desse, ela gostava de assistir ao Pica-pau, Tom e Jerry, Caverna do Dragão.

No desenho Ursinhos Carinhosos, Livia diz que adorava os personagens, representantes do mal, Coração Gelado e Laurinha. Diz que os bonzinhos eram sempre sem graça. Apesar do gosto pelo lado oposto do de costume das crianças, Livia fala sobre um ursinho de pelúcia, representante do bem, que tem ainda hoje. “Power Ranger era uma ótima opção também”, completa Livia.

Ionara Bandeira, estudante de nutrição, 23, também considera o desenho Ursinhos Carinhosos como o seu preferido. Mas, não matinha a sua concentração apenas nele. As animações Caverna do Dragão, Pica-Pau, O Marinheiro Poppye, também foram assistido por ela. Além dos desenhos, Ionara assistia a série Jaspion, transmitido na antiga rede Manchete, considerada a sua preferida. Mesmo gostando dos desenhos animados, a jovem não costumava colecionar ou pedir os personagens, bonecos, roupas, adesivos, aos seus pais, “eu gostava só de vê-los”, explica.

LISTA DE DESENHOS ANIMADOS:
1. Ursinhos Carinhosos;
2. Caverna do Dragão;
3. Muppet Babies;
4. A Pedra dos Sonhos;
5. As Aventuras de Tin-Tin;
6. Doug;
7. O Fantástico Mundo de Bob;
8. Duck Tales;
9. Super Mário Bros;
10. Cavaleiros do Zodíaco;
11. Tom e Jerry.

LISTA DE SÉRIES:
1. Jaspion;
2. Ninja Jiraya;
3. Changeman.

A MINHA INFÂNCIA DOS ANOS DE 1990 – PARTE II

Por Indyra Tomaz

MÚSICAS

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“Chegou a hora de dar risada, chegou a hora das Chiquititas”. “Sou feliz, por isso estou aqui, também quero viajar nesse balão”. “Segura o tchan, amarra o tchan, segura o tchan, tchan, tchan”. Talvez você esteja mexendo pelo menos as pontinhas dos dedos ao ler essas letras. Ou, quem sabe, está imaginando como fez sua mãe comprar todos os CDs das Chiquititas e ainda gravou todos os capítulos. Ainda mais, nesse exato momento as meninas devem estar lembrando daquele shortinho bem colorido para dançar o tchan que costumavam colocar sempre que grupo É o Tchan se apresentava no “Domingão do Faustão”.

A infância dos anos de 1990 foi marcada por uma diversidade de músicas que empolgavam crianças e jovens. As cores e a variedade de estilos fizeram das trilhas sonoras desse período uma inesquecível recordação. Quem não lembra do “Vira-vira” dos Mamonas Assassinas? De “Lua de Cristal” da rainha dos baixinhos? Ou, quem sabe, “Vou de Taxi” da Angélica? A lista é bastante infinita. E, com certeza, as lembranças também.

Paula Brauner, 20, estudante de jornalismo, lembra com muito carinho da música do “Ursinho Pimpão” e do ritmo envolvente da Lambada. O destaque era para os LPs ou disco de vinil, um Cd com o tamanho dobrado que tocava nas vitrolas. Para Brauner, o ursinho Pimpão era “meu fiel escudeiro”’. Ela não o largava por nada e afirma que ainda hoje o tem. O nome dado por Paula ao seu “amiguinho” foi o de Pirulito, pelo fato de “ele ter um cabeção”, explica.

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Já para Iakyra Gonçalves, 19, estudante de administração, “as Chiquititas são as que estão mais frescas em minha mente”. Dizia ser fã da novelinha argentina e gostava de imitar a Dany, personagem interpretada pela atriz Giselle Medeiros. Sua canção preferida era “Te encontrei”, pois declarava-se, e ainda se declara, uma romântica assumida.

A publicitária Maria Di Maria considerada uma amante da música, 22, lembra que gostava de ouvir “O Cravo e a Rosa”. Mas dá um destaque para a letra de “Como uma deusa”, que segundo ela tinha toda uma interpretação. “Salto de mainha com um lençol. Eu subia na cadeira e encenava. Muito engraçado”, lembra.

É comum ouvir que na vida tudo tem trilha sonora. A infância dos anos de 1990, com certeza, não passou em silêncio. A criançada teve uma grande lista de músicas que eram interpretadas de formas variadas. Irreverência. Sentimentalismo. Alegria. Muitas cores. Foram pontos que tornaram a música ímpar por volta de 1990 e alguma coisa.

LISTAS DE MÚSICAS:

  1. Vou de Taxi;
  2. Lua de Cristal;
  3. Ursinho Pimpão;
  4. Super fantástico;
  5. O Cravo e a Rosa;
  6. Vira-Vira;
  7. Mila;
  8. Robocop Gay;
  9. Uma Arlinda Mulher;
  10. Ilari Ilariê;
  11. Atirei o pau no gato;
  12. Ciranda;
  13. Segura o Tchan.

A MINHA INFÂNCIA DOS ANOS DE 1990 – PARTE I

Por Indyra Tomaz

PROGRAMAS DE TV E BRINCADEIRAS

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Pega-pega, esconde-esconde, roba bandeira, Caça Talentos, Porta dos desesperados, Chapolin Colorado são respectivas brincadeiras e programas de TV que marcaram a infância dos anos de 1990. Provavelmente quem brincou e assistiu a tudo isso nasceu no fim dos anos de 1980 e em 1990, viveu e participou da infância considerada pura.

As crianças dos anos de 1990 hoje estão entre seus 18 e 20 e poucos anos. A memória ainda está bastante ativa em relação a tudo vivido na época. Afinal, os anos de 1990 estão há alguns poucos anos atrás, não dá pra esquecer assim tão fácil. Agora imaginem um grupo de jovens entre essas idades sentados em uma mesa de bar. Eles vão discutir sobre muitas coisas, mas, com certeza, uma delas será sobre as brincadeiras e programas de TV que marcaram suas infâncias. A conversa, ao longo do seu desenrolar, vai ficando emocionante. Todos aqueles jovens e já bem crescidinhos parecem voltar a 1990 e alguma coisa deixando claro que é sempre uma alegria recordar.

Especialmente aos meus leitores do blog, cada jovem que fica até arrepiado só de lembrar, aos pais que tiveram que acelerar no carro para que o filho não perdesse a programação, pensei em escrever e mostrar um pouco daquela época de intensa infância.

Imaginem-se de frente para a porta de saída e entrada de sua casa. Daqui já se pode ouvir os gritos animados das outras crianças lá fora. Elas parecem vibrantes. A sua chegada deixa toda aquela meninada empolgada. Afinal, é mais um para alegrar a brincadeira. Todos fazem um ciclo e apontam os dedos para o centro. Nas mãos só tem zero ou um. Estão decidindo quem vai contar para que os outros possam se esconder. Enjoados de brincar de esconde-esconde as crianças optam por uma brincadeira mais animada. Pega-pega, lembra? É uma gritaria só. Meninos correm atrás de outros objetivando toca-los e assim deixando “o pega” ser o outro. E assim continuam as infinitas brincadeiras. As crianças nunca estão cansadas. Um tempinho depois à brincadeira muda. A mais citada quando entrevistados alguns jovens, polícia e ladrão. Geralmente a diversão preferida dos meninos. De um lado ficavam os policiais e do outro os bandidos. O objetivo era o lado que representava a polícia prendesse o lado representado pelo ladrão. Todo animação só acabava quando chamado da mãe, para que as crianças tomassem banho, era ouvindo lá do lado de fora da casa.

Para o estudante de enfermagem Leandro Uchoa, 21, sua infância foi “ótima e emocionante”. Gostava de brincar de polícia e ladrão, sete pecados, jogar futebol com os amigos e de fingir que era médico. Fã número um das séries “Anos Incríveis” e “Dawson´s Creek”, afirma que nunca perdia a nenhum episódio.

Pedro Alves, estudante de jornalismo, 20, autoconsiderado “um verdadeiro menino de rua” define: “minha infância foi 90”. Orgulhoso e sempre demonstrando empolgação quando fala de sua infância, lembra das brincadeiras que marcaram a época. Bila (bola de gude), peão, pipa, pega, esconde-esconde, zerinho ou um e, principalmente polícia e ladrão. O estudante revela que passava horas no “meio da rua” (expressão usada por ele para identificar seu local preferido de brincadeira) com os colegas. “Não fui criado escondido dentro de casa”, orgulha-se.

TV Colosso, Chaves, Chapolin e a série Punk – a levada da breca foram programas que tiveram, todos os dias, a audiência de Pedro. Além do mais, era um grande fã da Angélica e Eliana, e declarado um não baixinho da Xuxa.

LISTA DE PROGRAMAS DE TV:

• Os Trapalhões;
• TV Colosso;
• Chaves;
• Ra-ti-bum;
• Glub Glub;
• Castelo Ra-ti-bum;
• O mundo de Bekman;
• Carrosel;
• Punk Brewster – a levada da breca

LISTA DE BRINCADEIRAS:

• Pega;
• Bolinha de gude;
• Esconde-esconde;
• Roba bandeira;
• Bater tazo;
• Polícia – ladrão;
• Queimada;
• Qual é o mês?
• Gato mia;
• Duro ou mole?

Confira as músicas que marcaram alguns programas da década de 90:

Kboing

Pequeno no tamanho e grande na atitude

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Por Indyra Tomaz baseada em informações e imagens do G1

Diretamente das telas do cinema e histórias em quadrinhos o homem-aranha. Melhor, seu filho, como preferiu ser chamado o menino Riquelme de 5 anos que salvou uma bêbe de 1 ano e 10 meses de incêndio em Palmeira, Santa Catarina, na tarde de quinta (8). Segundo informações do soldado do Corpo de Bombeiros Giovanni da Cunha, em fala ao G1 Riquelme Wesley dos Santos brincava em um pátio em frente à casa dos vizinhos, quando o incêndio começou.

Riquelme agiu por puro impulso e pela certeza de ser o próprio o homem-aranha. No momento em que entrou na casa em chamas, o menino vestia uma fantasia do seu herói. Afirmou que em nenhum momento sentiu medo de todo o fogo e completou explicando como foi realizado o salvamento da pequena Andrielle.

Assustada com o fato a mãe do bebê, Lucilene dos Santos, tentou entrar na casa para tirar sua filha de dentro, mas acabou fracassando. O pequeno “homem- aranha” tranqüilizou a mãe da menina com as seguintes palavras: ” não grite nem chore. Vô salvar a menina”.

Depois do ato heróico do menino Riquelm, o Sargento José Macedo fala da inocência e falata de noção de perigo do garoto e completa,” poderia ser mais uma vítima. É preciso equipamentos especiais para entrar em ambientes confinados.”

De acordo com Cunha, que realizou a perícia no imóvel na manhã de sexta-feira (9), o incêndio destruiu 80% da residência e a causa provável foi um curto-circuito.

OBSERVAÇÃO:

Com certeza foi uma nobre atitude essa do menino Riquelme, porém, apresentou um grande perigo para as duas crianças. Essa transposição da fixação para a realidade poderia ter causado tristeza profunda às duas famílias.

Então criançada, nada de repetir os atos heróicos dos seus personagens de desenhos animado para a realidade, porque o resultado pode não ser um final feliz.

Treinamento de piloto só aconteceriam em 2008

Por Indyra Tomaz baseado em notícia do G1

Depois de uma semana marcada por quatro acidentes aéreos, três helicópteros e um Learjet, o diretor comercial da empresa Reali Táxi Aéreo, Ricardo Gobbetti, fala sobre a falta de treinamento do piloto Paulo Roberto Montezuma que deveria em um simulador de situações de risco feito nos Estados Unidos apenas no próximo ano. O comandante pilotava o Learjet 35 que caiu no domingo (4) sobre duas casas, matando oito pessoas em São Paulo.

Em sua primeira entrevista depois do acidente, uma coletiva em um hotel da Zona Sul de São Paulo, Gobbetti afirma, “ele não passou pelo simulador. Isso estava previsto no ano que vem”. Completa mostrando que quando o piloto foi habilitado não era exigido passar no simulador, na época o Brasil não possuíam o equipamento necessário, apenas os Estados Unidos.

Apesar da fatalidade, Gobbetti defende o piloto falando do “excelente profissional” que era, já tendo feito 10 mil horas de vôo na carreira, sendo que, metade delas pilotando modelos Learjet.

O empresário sabe da importância de pilotos passarem pelo simulador, pois é bastante útil em situações de emergência no ar, como a vivida no acidente, mas preferiu não comentar sobre o acidente com seu Learjet e o piloto.

Gobetti reafirmou que o Learjet tinha 10 mil horas de vôo e que estava em boas condições. Segundo ele, a última manutenção ocorreu entre 14 e 25 de outubro em Uberlândia (MG).

O valor da apólice de seguros da Unibanco AIG, a seguradora da Reali, não foi revelado pelo executivo. Mas afirmou que ele “cobre todos os custos” do acidente com certeza”, inclusive nos casos de indenização. Além de acomodar 18 pessoas que tiveram de abandonar suas casas em um hotel da cidade, Gobbetti disse que a Reali colocou à disposição das vítimas seis psicólogos, atendimento médico e uma ambulância.

 

 

 

 

 

O Cemitério das Obras de Arte

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Por Indyra Tomaz

 

Até 1828 os corpos dos fortalezenses eram sepultados nas paredes das igrejas. Com o passar dos tempos a sociedade exigiu que seus mortos fossem “separados” dos vivos. Com isso, em 1844 o cemitério Do Crutuá, depois São Casimiro passou receber e sepultar os mortos da capital cearense. Em 3 de fevereiro de 1848, foi realizada uma publicação no jornal, onde era narrada a necessidade de a sociedade possuir um cemitério. Ainda dentro da cidade, o cemitério é retirado da mesma e construído em um lugar mais distante. A data de 1860 é marcada pela privatização da Igreja Católica ao cemitério São Casimiro, que passou a receber exclusivamente corpos de católicos.

Fundado em 1862, o mais antigo cemitério de Fortaleza localizado na Rua Padre Mororó, S/N, no bairro Jacarecanga, próximo à Catedral Metropolitana de Fortaleza, é cenário de uma infinidade de obras de arte. O São João Batista, assim nomeado o cemitério, a partir desse ano começa a receber corpos pertences a parentes das famílias ricas da capital. O cemitério São Casimiro é desativado e só depois de 10 anos a prefeitura constrói uma praça no local. Em 1866 o São João Batista é oficialmente inaugurado. Recebendo um portão e um muro mais reforçados em 1872, data exposta na parede da entrada como sendo a data de inauguração.

Para o administrador do cemitério e profundo admirador do local, Denis Roberto Marques, o São João Batista não é um só o lugar de enterrar os mortos, mas sim um lugar vivo e cheio de histórias. Afirma que depois de sua inauguração e ainda hoje, as famílias cuidam com muita atenção dos túmulos de seus familiares. Decoram. Tentam deixar o ente o mais próximo possível dos vivos.

Os indigentes, segundo Denis, antes eram enterrados no São João Batista, mas devido a falta de espaço foram encaminhados para outro cemitério. O administrador explica que não dá para saber qual é o número exato de mortos, por nunca ter sido feito um controle, mas confirma o número de 25 MIL jazidos.

Por volta de 1862, a forma que as famílias encontravam para mostrar sua ascensão econômica era decorando os túmulos de seus parentes. Um caso muito conhecido foi o da baronesa do Crato que tinha o hábito de fazer um piquenique aos domingos com a sua família. Essa idéia foi adotada pelo restante da sociedade que passou firmar uma competição em relação aos túmulos mais bonitos.

 

 

 

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Além da baronesa do Crato, figuras como Caio Prado (governador do Ceará) que teve o jazido mais complicado de ser construído, tendo que ser usadas as mesmas técnicas aplicadas no Egito para a construção das pirâmides; o senador Virgílio Távora com uma majestosa estátua de ferro de Jesus Cristo em seu túmulo; o escritor Quintino Cunha; Engenheiro Antonio Santana Jr., Dionysio Torres, respectivos nomes de rua e bairro de Fortaleza, fazem parte da construção de um lugar para descanso eterno, porém com um cenário maravilhoso.

Cícero Ricardo, responsável pela manutenção do cemitério, nos acompanhou na visita pelo mundo das majestosas estátuas, construções e organização. Cícero trabalha no cemitério desde 1990, de domingo a domingo das 7h às 17h, demonstra muito amor e dedicação ao local. Ele explica que o São João Batista, assim como um bairro, é dividido em ruas e cada jazida tem sua numeração.

Além de todo cuidado com o cemitério, Cícero também faz referência a “beatificação” (feita pelos visitantes e familiares) de alguns mortos como, por exemplo, a menina Lúcia (1915 – 1917) e Cleidimar Medeiros Dantas (1955 – 1970) falecida cinco dias antes do seu aniversário, atropelada pelo tio. Cícero afirma e também é visível nos túmulos, que muitas pessoas fazem visitas aos jazidos buscando alcançar graças. Cura de algumas doenças, aprovação em vestibular, melhorias nas condições financeiras são constantes pedidos feitos pelos fiéis às jovens. Toda segunda-feira uma média de 40 pessoas visitam o túmulo de Cleidimar para agradecer pelas graças alcançadas. Os fiéis levam velas, flores, quadros, mensagens.

Nas histórias do São João Batista existe um fato. O exame de DNA depois que o indivíduo chega a falecer, quando pedido, passa por processo simples, mas de bastante responsabilidade. Cícero explica que um delegado e um promotor de justiça vão até o cemitério e levam os restos mortais em saco apropriado para análise. Na saída do corpo Cícero assina um documento, onde se responsabiliza pelos restos. O resultado saí em até dois anos comprovando ou não o parentesco.

A idéia de cemitério, sem dúvidas, é a de um local para o descanso eterno. Local onde nossos corpos são colocados depois que morremos. Mas quebrando os conceitos sobre o uso do cemitério, o neonazista (assim considerado) Joaquim de Sousa Míteri, já construiu e fez lápide do próprio túmulo. Segundo Cícero, o senhor Joaquim vem todas as manhãs fazer caminhada dentro do cemitério e aproveita para cuidar do seu túmulo. De maneira engraçada Cícero defende, “ele é um homem precavido”.