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Férias

Por Indyra Tomaz

Meus caros amigos e leitores, peço desculpa por não estar atualizando meu blog. Estou de férias e, no momento, sem internet. Em alguns dias já estarei de volta. Enquanto curto as minhas férias, estou produzindo uma reportagem sobre a música, compositores, enfim, cearenses. Breve, breve eu volto com muitas novidades.

 Um feliz 2008 para todos. Que esse ano seja bem produtivo.

Obrigada.

Domingo tem gosto de chuchu

Por Indyra Tomaz

Domingo é assim. Você acorda bem mais tarde, come fora de hora, aluga filmes sem graça. Espera o telefone tocar, mas ele não toca. Então domingo tem sim gosto de chuchu.

Chuchu é um legume sem sabor, segundo seus provadores. Ele também não tem cor. Ou melhor, é bem parecido com coisa nenhuma. Uma cor morta anda bem longe da beterraba que espalha vida.

Domingo pra mim é assim. Nada acontece no domingo. Você já leu as manchetes de domingo num jornal? São sempre as mesmas: festas que aconteceram no sábado, o grande clássico de futebol de logo mais, acidentes de trânsitos ou assassinatos, mas nunca nada de empolgante.

Acho que quando Deus fez o domingo foi mesmo para descansar e aumentar a preguiça. Domingo é o dia preferido dos bebuns. Os bares tocam músicas velhas, aquelas que dói lá fundo do cotovelo. Mulheres ficam em casa e maridos vão jogar futebol. As crianças parecem inquietas. As mães torcem pela chegada da segunda, afinal as crianças voltam pra escolar. E assim vai.

A pior parte é, sem dúvida, a programação da televisão. O povo assiste Faustão. Tem uns que ainda apelam mais, pois preferem o Domingo Legal. Então eu pergunto pode existir dia mais sem sal?

Mas, diante da tecnologia alguns ainda salvam seu dia na Internet. Conversam por horas com amigos ou conhecidos. Riem, choram parecendo que estão todos numa roda. Enfim, eu ainda não entendo como o pessoal diz que se diverti vivendo assim. Cadê a cerveja? E como sentir o calor dos amigos? Afinal, ali é só um computador, nem sei se é com o amigo que falo. Então domingo, por isso tens gosto de chuchu.

Ainda falta o finalzinho, aquele que acontece nos fins de tarde. Mulheres de idade se arrumam toda para assistir a missa ou sentar na calçada. Parece até promessa. Chega o fim da tarde e lá estão todas elas. Sentadas, sem gargalhadas a observar o vai e vem. Elas chegam a fazer comentários, mas acabam sendo vistas como mal amadas.

Eu fico por aqui caminhando. Num tenho coragem nem de ir ali na cozinha pegar uns doces para me entupir. Mas, mesmo assim, não consigo deixar de ouvir aquele vizinho de voz desafinada tirar algumas palavras do cd com músicas feitas. No mínimo tirou nota máxima, afinal, dá pra programar essas coisas.

O sol agora vem se pondo e o dia de chuchu passando. Amanhã é segunda-feira e acho que tem gosto de pêra, mas acaba sendo melhor que chuchu.

o DiNhEiRo

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Por Indyra Tomaz

Parece uma cena forte, não? Um lindo bebê nadando tranqüilamente atrás de um objeto engraçadinho. Bem atrás dele um monstruoso tubarão, com dentes afiados e que parece estar ansioso para devorá-lo. Calma, isso não é uma cena de um daqueles filmes da série “Tubarões” que costumam passar na Sessão da Tarde. Pelo contrário, esse, para quem não conhece, é o dinheiro e a cena refletida na capa de um dos cds do grupo de rook Nirvana(no CD original não tem o tubarão, isso é uma montagem para dá ênfase ao conteúdo tratado no texto) é o seu efeito sobre as pessoas.

Ele com certeza encanta. Ele traz bens que proporcionam prazeres profundos. Ele torna possível qualquer sonho material, porque ele pode. Ele constrói casamentos eternos, mas não amor. Ele é solução e veneno. Ele, meus amigos, é o dinheiro.

Alguém um dia disse: “dinheiro não é tudo, mas 99,9%”. E alguém discorda? Discordar pra que se é dele que todo mundo gosta. O dinheiro causa nas pessoas transformações inacreditáveis. Os indivíduos parecem famintos quando sentem o cheiro desse papel com número, imagem e cor. Em mesas de jogos ele é disputado em cada jogada. Alguns afirmam que o belo sexo (mulheres) é encantado pelos prazeres proporcionados por ele. Eu me detenho a não responder. Ele é prazeroso, mas perigoso.

Algo muito poético ou frustrado? Bem, eu sei não qual a resposta, mas sei que ele é fruto de uma árvore chamada Capitalismo. O capital, outro nome dado ao dinheiro, é um objeto de circulação constante. Nunca tem apenas um dono e é sempre alvo de cobiça. Guerras são iniciadas. Pessoas morrem. O ambiente paga um preço caro. E tudo que eles querem é dinheiro. E ainda, como se não fosse bastante o incentivo de compra é forte: compre! Compre! Compre! Compre! E a palavra de ordem fica na mente. O som vai e o eco fica com o movimento de um pêndulo. Então o questionamento: por que não comprar? E você deseja ainda mais o dinheiro.

Conforto, boa comida, bebidas, roupas, imóveis. E o desejo tornar-se mais forte. A vida é curta e algumas pessoas conseguem juntar tanto papel e coisa que daria para viver milhares de vidas. Elas juntam jóias. Elas juntam carros. Banham-se em piscinas de luxo e compram “amigos”. E o dinheiro parece uma fantasia. Desperta sonhos. Prazeres. Inveja. Ódio. Ele é maravilhoso. Ele é mau. E a dúvida. E o desejo, mais e mais e mais.

Então vamos trabalhar de domingo a domingo. Empregados de um mundo que trata gente como máquina. Nem pense em pedir férias, pois se fizer isso o dinheiro ficará curto. Você nem vai poder comprar aquele tênis de marca se ficar doente. Se desejar ainda mais já pode esquecer da cervejinha de sexta-feira. Folgas. Férias. Feriados. Tudo é perca de tempo. E o dinheiro não espera. Ele consome. Ele esmaga. Ele é o dinheiro, meu chapa.

 

Todo começo são flores!

 Por Indyra Tomaz

É bem comum no início de um relacionamento, trabalho e estudo alguém dizer a seguinte frase: “todo começo são flores”. Quem escuta, encantado pelo ar de novidade, nem dá muito cabimento e quem fala  até parece saber que os espinhos logo virão.

Não. Isso não é um texto que falará sobre relacionamentos mal resolvidos, decepção sofrida por alguém ou algo do tipo. Pelo  contrário, o começo que desejo descrever é o de um aluno que sai do Ensino Médio e passa para o Nível Superior. Sem dúvida nenhuma é uma mudança bastante brusca e que requer algumas quedas para se atingir o objetivoa almejado.

Para poder passar toda a sensação de um garoto que sai da escola pra faculdade é preciso voltar um pouco no tempo, no exato momento em que ele faz a escolha do curso e, assim, estuda para o vestibular. A pressão dessa decisão é sempre muito grande, afinal, a escolha o seguirá por toda a vida. As opções são sempre variadas, principalmente quando tem a participação da família. “Se eu fosse você faria medicina, pois terá um futuro brilhante”. “Já eu, acredito que direito é mais a sua cara, afinal, quem conhece as leis do país  onde mora torna-se mais esperto diante da vida”. E assim, mãe, pai, irmãos, avôs, todos participam da escolha. Mas, a palavra final sempre deve ser do estudante.

Finalmente chega o dia da prova do vestibular. Alguns a fazem com toda traqüilidade desse mundo. Outros não conseguem nem mesmo lembrar de seu nome ou do curso que escolheram. O momento difícil vai passando. Daí em diante é apenas uma espera, que para alguns parece interminável, até o dia do resultado. Aprovado. É festa. É alegria. É faculdade.

Na noite que antecede o primeiro dia na faculdade é quase que interminável. O sono não vem. O relógio parace que parou, pois nem o som de tic-tac é mais ouvido. A mente do estudante parece um grande livro de hitória e questionamentos. Como deve ir e não parecer um garoto recém saído da escola? O que discutir? Quais músicas digo que gosto? E a noite, mesmo assim, insiste em não passar.

Depois de uma luta quase inacabável com a falta de sono, o despertador finalmente toca. E antes mesmo de sua mãe vir chamar você, já está acordando e, melhor, tomando banho naquela água fria da manhã. É mesmo impressionante. O café da manhã desce rápido. O sorriso empolgante e as mãos trêmulas são visíveis a todos que estão ao seu lado. Você canta. Você parece que nasceu naquele momento. Nada importa, ao não ser a chegada na faculdade. E falando nisso, quem vai deixá-lo? Ora quem.Ele mesmo. Afinal, é como adultos que esses garotos se sentem quando vão para universidade.

De uma certa forma, o medo mistura-se com a ansiedade. Bem dali, daquela esquina onde fica o bar da galera, ele já avista a porta da frente da universidade. É inútil a tentativa de  deixar o coração menos acelerado. Ou a ansiedade não tão a vista. Pois cada uma dessas sensações são bastante óbvias.

E se a universidade fizer honra ao nome, com certeza terá um bom trote para os novatos, melhor, bichos. No primeiro momento, o garoto recém saído do meio escolar, terá um susto com as brincadeiras e piadas feitas pelos veteranos. Depois, vem a sensação de liberdade. Aquele é o lugar que ele mais havia pedido para estar. A faculdade. Gente mais “cabeça”. As meninas deixam o posto de garotas e agora são lindas mulheres. Falar de sexo é totalmente normal e melhor, vivê-lo é intensamente é a cara do novo mundo.

O garoto gosta de viver aquela fase. Ele curte a liberdade de agora. Acredita que assistir aula é uma questão de escolha, onde sempre opta por não assistir. Ele quer mais é beber. Sair de casa com hora certa e voltar quando quiser. Mas o que ele acaba esquecendo, sempre, é que na faculdade o primeiro dia é só uma vez e que a próxima etapa são cobranças. Melhor, responsabilidade, afinal, as boas notas dele, nesse momento, não contam tanto quanto o profissional que ele se tornará.