Treinamento de piloto só aconteceriam em 2008

Por Indyra Tomaz baseado em notícia do G1

Depois de uma semana marcada por quatro acidentes aéreos, três helicópteros e um Learjet, o diretor comercial da empresa Reali Táxi Aéreo, Ricardo Gobbetti, fala sobre a falta de treinamento do piloto Paulo Roberto Montezuma que deveria em um simulador de situações de risco feito nos Estados Unidos apenas no próximo ano. O comandante pilotava o Learjet 35 que caiu no domingo (4) sobre duas casas, matando oito pessoas em São Paulo.

Em sua primeira entrevista depois do acidente, uma coletiva em um hotel da Zona Sul de São Paulo, Gobbetti afirma, “ele não passou pelo simulador. Isso estava previsto no ano que vem”. Completa mostrando que quando o piloto foi habilitado não era exigido passar no simulador, na época o Brasil não possuíam o equipamento necessário, apenas os Estados Unidos.

Apesar da fatalidade, Gobbetti defende o piloto falando do “excelente profissional” que era, já tendo feito 10 mil horas de vôo na carreira, sendo que, metade delas pilotando modelos Learjet.

O empresário sabe da importância de pilotos passarem pelo simulador, pois é bastante útil em situações de emergência no ar, como a vivida no acidente, mas preferiu não comentar sobre o acidente com seu Learjet e o piloto.

Gobetti reafirmou que o Learjet tinha 10 mil horas de vôo e que estava em boas condições. Segundo ele, a última manutenção ocorreu entre 14 e 25 de outubro em Uberlândia (MG).

O valor da apólice de seguros da Unibanco AIG, a seguradora da Reali, não foi revelado pelo executivo. Mas afirmou que ele “cobre todos os custos” do acidente com certeza”, inclusive nos casos de indenização. Além de acomodar 18 pessoas que tiveram de abandonar suas casas em um hotel da cidade, Gobbetti disse que a Reali colocou à disposição das vítimas seis psicólogos, atendimento médico e uma ambulância.

 

 

 

 

 

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O Cemitério das Obras de Arte

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Por Indyra Tomaz

 

Até 1828 os corpos dos fortalezenses eram sepultados nas paredes das igrejas. Com o passar dos tempos a sociedade exigiu que seus mortos fossem “separados” dos vivos. Com isso, em 1844 o cemitério Do Crutuá, depois São Casimiro passou receber e sepultar os mortos da capital cearense. Em 3 de fevereiro de 1848, foi realizada uma publicação no jornal, onde era narrada a necessidade de a sociedade possuir um cemitério. Ainda dentro da cidade, o cemitério é retirado da mesma e construído em um lugar mais distante. A data de 1860 é marcada pela privatização da Igreja Católica ao cemitério São Casimiro, que passou a receber exclusivamente corpos de católicos.

Fundado em 1862, o mais antigo cemitério de Fortaleza localizado na Rua Padre Mororó, S/N, no bairro Jacarecanga, próximo à Catedral Metropolitana de Fortaleza, é cenário de uma infinidade de obras de arte. O São João Batista, assim nomeado o cemitério, a partir desse ano começa a receber corpos pertences a parentes das famílias ricas da capital. O cemitério São Casimiro é desativado e só depois de 10 anos a prefeitura constrói uma praça no local. Em 1866 o São João Batista é oficialmente inaugurado. Recebendo um portão e um muro mais reforçados em 1872, data exposta na parede da entrada como sendo a data de inauguração.

Para o administrador do cemitério e profundo admirador do local, Denis Roberto Marques, o São João Batista não é um só o lugar de enterrar os mortos, mas sim um lugar vivo e cheio de histórias. Afirma que depois de sua inauguração e ainda hoje, as famílias cuidam com muita atenção dos túmulos de seus familiares. Decoram. Tentam deixar o ente o mais próximo possível dos vivos.

Os indigentes, segundo Denis, antes eram enterrados no São João Batista, mas devido a falta de espaço foram encaminhados para outro cemitério. O administrador explica que não dá para saber qual é o número exato de mortos, por nunca ter sido feito um controle, mas confirma o número de 25 MIL jazidos.

Por volta de 1862, a forma que as famílias encontravam para mostrar sua ascensão econômica era decorando os túmulos de seus parentes. Um caso muito conhecido foi o da baronesa do Crato que tinha o hábito de fazer um piquenique aos domingos com a sua família. Essa idéia foi adotada pelo restante da sociedade que passou firmar uma competição em relação aos túmulos mais bonitos.

 

 

 

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Além da baronesa do Crato, figuras como Caio Prado (governador do Ceará) que teve o jazido mais complicado de ser construído, tendo que ser usadas as mesmas técnicas aplicadas no Egito para a construção das pirâmides; o senador Virgílio Távora com uma majestosa estátua de ferro de Jesus Cristo em seu túmulo; o escritor Quintino Cunha; Engenheiro Antonio Santana Jr., Dionysio Torres, respectivos nomes de rua e bairro de Fortaleza, fazem parte da construção de um lugar para descanso eterno, porém com um cenário maravilhoso.

Cícero Ricardo, responsável pela manutenção do cemitério, nos acompanhou na visita pelo mundo das majestosas estátuas, construções e organização. Cícero trabalha no cemitério desde 1990, de domingo a domingo das 7h às 17h, demonstra muito amor e dedicação ao local. Ele explica que o São João Batista, assim como um bairro, é dividido em ruas e cada jazida tem sua numeração.

Além de todo cuidado com o cemitério, Cícero também faz referência a “beatificação” (feita pelos visitantes e familiares) de alguns mortos como, por exemplo, a menina Lúcia (1915 – 1917) e Cleidimar Medeiros Dantas (1955 – 1970) falecida cinco dias antes do seu aniversário, atropelada pelo tio. Cícero afirma e também é visível nos túmulos, que muitas pessoas fazem visitas aos jazidos buscando alcançar graças. Cura de algumas doenças, aprovação em vestibular, melhorias nas condições financeiras são constantes pedidos feitos pelos fiéis às jovens. Toda segunda-feira uma média de 40 pessoas visitam o túmulo de Cleidimar para agradecer pelas graças alcançadas. Os fiéis levam velas, flores, quadros, mensagens.

Nas histórias do São João Batista existe um fato. O exame de DNA depois que o indivíduo chega a falecer, quando pedido, passa por processo simples, mas de bastante responsabilidade. Cícero explica que um delegado e um promotor de justiça vão até o cemitério e levam os restos mortais em saco apropriado para análise. Na saída do corpo Cícero assina um documento, onde se responsabiliza pelos restos. O resultado saí em até dois anos comprovando ou não o parentesco.

A idéia de cemitério, sem dúvidas, é a de um local para o descanso eterno. Local onde nossos corpos são colocados depois que morremos. Mas quebrando os conceitos sobre o uso do cemitério, o neonazista (assim considerado) Joaquim de Sousa Míteri, já construiu e fez lápide do próprio túmulo. Segundo Cícero, o senhor Joaquim vem todas as manhãs fazer caminhada dentro do cemitério e aproveita para cuidar do seu túmulo. De maneira engraçada Cícero defende, “ele é um homem precavido”.

  

Quebrando Tabus


Por Indyra Tomaz

Seja em estádios de futebol, bolsa de valores, trocando pneus, dirigindo, levando as crianças à escola, indo ao cabeleleiro, brindando com cerveja em barezinhos, fazendo as unhas, dançando. Em qualquer lugar, sendo esse comum ou não para se encontrar mulheres, atualmente elas estão por toda parte e realizando todas as coisas.

As mulheres do século XXI abandonaram os longos vestidos, o pudor na fala e literalmente “soltaram a franga”. Exatamente, é muito difícil, hoje, encontrar uma casa onde homem e mulher não dividam as contas, os problemas e as tarefas. Tudo anda ficando igual. E a independência feminina tem sido o auge de todas essas revolucionárias mudanças.

O mercado de trabalho é um excelente exemplo dos avanços femininos. Pois é exatamente nele que as mulheres vêm conquistando um espaço cada vez maior e, acima de tudo, com bastante qualidade profissional. Piadas como “lugar de mulher é pilotando fogão”, ou na “beira da pia lavando roupa” ainda são bastante freqüentes em relação às mulheres, mas tais piadas já perderam totalmente a graça e estão muito ultrapassadas. As profissionais modernas já estão bem a frente de todas as formas preconceituosas masculinas e, também, do olhar menos corajoso de outras mulheres que ainda vivem no passado.

Elas quebraram os tabus sobre certos trabalhos não serem para mulheres e sim só para homens. Estão mostrando bastante serviço e ainda, em muitos casos, um trabalho com mais caprichado do que o masculino. Entre 1976 e 2002 os indicadores do mercado apontam um acréscimo de 25 milhões de trabalhadoras, as mulheres desempenharam um papel muito mais relevante do que os homens no crescimento da população economicamente ativa.

Mesmo com o avanço dentro da sociedade e saindo de casa, as mulheres ainda levam muitos nãos por ser do sexo feminino. Em uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o quadro da profissional ainda apresenta preconceitos claros. As mulheres ganham menos que os homens em todos os estados brasileiros e em todos os níveis de escolaridade. Elas também se aposentam em menor proporção que os homens e há mais mulheres idosas que não recebem nem aposentadoria nem pensão.

Essa desigualdade entre os sexos é um caso ainda bastante comum dentro da sociedade brasileira. Então, qual a justificativa para tal quadro já que as mulheres, na maioria dos casos, têm desenvolvido melhor trabalho? Preconceitos como esses são apresentados no geral entre empregados e empregadas. Agora, imaginemos mulheres que desenvolvem profissões que há anos são desenvolvidas apenas por homens? Sim, motoristas de ônibus, por exemplo.

 

Dizer que é comum pegar uma condução e encontrar uma mulher no comando da direção, com certeza, é mentira ou uma elevada feminilidade. Mas casos assim existem. Elas vestem uniformes de seus respectivos trabalhos, sentam na cadeira de motorista e levam, trazem os passageiros com toda segurança possível. E ainda, bem diferente da preconceituosa visão, mulheres no volante não é um perigo constante.

Para a carioca Leda Maria Silveira, 54, condutora de transporte urbano há 8 anos e a portuguesa Alda Maria Luis da Silva, 32, condutora há 2 anos dirigir é uma arte. Além de, no caso da segunda entrevistada, ser uma ótima fonte de renda.

 

Leda Maria dirige há 36 anos e fala que a maior dificuldade que encontrou foi quando tirou, pela primeira vez, sua habilitação na categoria B, no próprio Departamento Nacional de Trânsito – DETRAN. “Eles disseram”: “dirigir é uma atividade só pra homens, você deveria tentar tirar uma carteira de costureira, a máquina tem motor e pedal”. “Não gostei nada do comentário daquele homem”.

O preconceito é algo que não está limitado apenas ao Brasil. A condutora Alda Luis, inicialmente motorista de caminhão, diz que nunca foi discriminada em quanto motorista de transporte público, mas que recebeu muitas piadas e, inclusive, ameaças quando dirigia caminhão. “Teve uma situação em que um caminhoneiro me olhou e disse: se você fosse a minha mulher nunca iria conduzir um caminhão e se dirigisse levaria um pinhal e muita porrada para aprender o que é ser mulher”. Alda não ficou intimidade com a ameaça e respondeu de maneira educada: “o meu marido sabe bem o que tem em casa e confia em mim, ele sabe onde eu ando. Mas se o senhor não confia em sua companheira o problema é seu”.

 

Não são apenas mulheres que sofrem preconceitos por causa de suas escolhas, Leda dá um exemplo de homens que optam por seguir a profissão de bailarinos, enfrentam a discriminação de outros homens e também de mulheres. Mas afirma que como motorista o preconceito feminino é bem maior. “Iremos escutar piadas e ofensa seja quem for e onde for, isso é da natureza do ser humano”.

Sem dúvidas quando se parte para uma escolha considerada diferente por muitos os obstáculos são sempre infinitos. As piadas são constantes. A descrença na profissional de qualidade é, quase sempre, bem forte. Mas tanto Leda como Alda, solteira e casada, respectivamente, recebem um grande apoio de suas famílias em relação à profissão que escolheram.

Orgulhosos da profissão da tia, os sobrinhos de Leda levam seus amigos para vê o trabalho da tia e aproveitaram para fazer um passeio na cidade.Todo esse entusiasmo dos garotos levaram a diretora da escola de um deles a convidar Leda para falar sobre direção defensiva. Isso a deixou ainda mais apaixonada pelo que faz.

No caso da portuguesa Alda, casada, o orgulho também está claro pelo marido e os filhos. Ela fala que seus filhos adoram chegar na escola levados pela mãe no transporte público. O seu pai morreu há 18 anos, mas sua mãe sempre considerou Alda uma super mulher.

 

Quando questionadas sobre a vaidade de cada um em seus trabalhos, Leda defende que até nesse ponto existe preconceito das pessoas. Muitas vezes quando a mulher opta por não usar maquiagem é vista como homossexual. Caso contrário, muito pintada, ela é piranha ou quer trair o marido. “É assim que é a cabeça do povão”.

Alda afirma que boa aparência é um ponto bastante exigido pela sua chefia. Mas acredita que em outras profissões as mulheres ficam mais preocupadas em estar arrumadas. Ela, por exemplo, gostar de andar, sempre, bem vestida, cheirosa, mas não gosta, com muita freqüência, de usar maquiagem.

As motoristas Leda e Alda são apaixonadas pelo que fazem. Acreditam no trabalho que estão desenvolvendo e sempre procuram melhorar. Assim como qualquer profissional, seja homem ou mulher, cumprem regras, têm horários, fazem amigos, também existe os que não gostam. No fim Leda aproveita as folgas com a família e a namorada, curte a noite em alguns barezinhos ao som de uma boa música. Alda acredita que a melhor coisa é respeitar e ser respeitado.

 

 

 

 

 

 

 

Domingo tem gosto de chuchu

Por Indyra Tomaz

Domingo é assim. Você acorda bem mais tarde, come fora de hora, aluga filmes sem graça. Espera o telefone tocar, mas ele não toca. Então domingo tem sim gosto de chuchu.

Chuchu é um legume sem sabor, segundo seus provadores. Ele também não tem cor. Ou melhor, é bem parecido com coisa nenhuma. Uma cor morta anda bem longe da beterraba que espalha vida.

Domingo pra mim é assim. Nada acontece no domingo. Você já leu as manchetes de domingo num jornal? São sempre as mesmas: festas que aconteceram no sábado, o grande clássico de futebol de logo mais, acidentes de trânsitos ou assassinatos, mas nunca nada de empolgante.

Acho que quando Deus fez o domingo foi mesmo para descansar e aumentar a preguiça. Domingo é o dia preferido dos bebuns. Os bares tocam músicas velhas, aquelas que dói lá fundo do cotovelo. Mulheres ficam em casa e maridos vão jogar futebol. As crianças parecem inquietas. As mães torcem pela chegada da segunda, afinal as crianças voltam pra escolar. E assim vai.

A pior parte é, sem dúvida, a programação da televisão. O povo assiste Faustão. Tem uns que ainda apelam mais, pois preferem o Domingo Legal. Então eu pergunto pode existir dia mais sem sal?

Mas, diante da tecnologia alguns ainda salvam seu dia na Internet. Conversam por horas com amigos ou conhecidos. Riem, choram parecendo que estão todos numa roda. Enfim, eu ainda não entendo como o pessoal diz que se diverti vivendo assim. Cadê a cerveja? E como sentir o calor dos amigos? Afinal, ali é só um computador, nem sei se é com o amigo que falo. Então domingo, por isso tens gosto de chuchu.

Ainda falta o finalzinho, aquele que acontece nos fins de tarde. Mulheres de idade se arrumam toda para assistir a missa ou sentar na calçada. Parece até promessa. Chega o fim da tarde e lá estão todas elas. Sentadas, sem gargalhadas a observar o vai e vem. Elas chegam a fazer comentários, mas acabam sendo vistas como mal amadas.

Eu fico por aqui caminhando. Num tenho coragem nem de ir ali na cozinha pegar uns doces para me entupir. Mas, mesmo assim, não consigo deixar de ouvir aquele vizinho de voz desafinada tirar algumas palavras do cd com músicas feitas. No mínimo tirou nota máxima, afinal, dá pra programar essas coisas.

O sol agora vem se pondo e o dia de chuchu passando. Amanhã é segunda-feira e acho que tem gosto de pêra, mas acaba sendo melhor que chuchu.

o DiNhEiRo

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Por Indyra Tomaz

Parece uma cena forte, não? Um lindo bebê nadando tranqüilamente atrás de um objeto engraçadinho. Bem atrás dele um monstruoso tubarão, com dentes afiados e que parece estar ansioso para devorá-lo. Calma, isso não é uma cena de um daqueles filmes da série “Tubarões” que costumam passar na Sessão da Tarde. Pelo contrário, esse, para quem não conhece, é o dinheiro e a cena refletida na capa de um dos cds do grupo de rook Nirvana(no CD original não tem o tubarão, isso é uma montagem para dá ênfase ao conteúdo tratado no texto) é o seu efeito sobre as pessoas.

Ele com certeza encanta. Ele traz bens que proporcionam prazeres profundos. Ele torna possível qualquer sonho material, porque ele pode. Ele constrói casamentos eternos, mas não amor. Ele é solução e veneno. Ele, meus amigos, é o dinheiro.

Alguém um dia disse: “dinheiro não é tudo, mas 99,9%”. E alguém discorda? Discordar pra que se é dele que todo mundo gosta. O dinheiro causa nas pessoas transformações inacreditáveis. Os indivíduos parecem famintos quando sentem o cheiro desse papel com número, imagem e cor. Em mesas de jogos ele é disputado em cada jogada. Alguns afirmam que o belo sexo (mulheres) é encantado pelos prazeres proporcionados por ele. Eu me detenho a não responder. Ele é prazeroso, mas perigoso.

Algo muito poético ou frustrado? Bem, eu sei não qual a resposta, mas sei que ele é fruto de uma árvore chamada Capitalismo. O capital, outro nome dado ao dinheiro, é um objeto de circulação constante. Nunca tem apenas um dono e é sempre alvo de cobiça. Guerras são iniciadas. Pessoas morrem. O ambiente paga um preço caro. E tudo que eles querem é dinheiro. E ainda, como se não fosse bastante o incentivo de compra é forte: compre! Compre! Compre! Compre! E a palavra de ordem fica na mente. O som vai e o eco fica com o movimento de um pêndulo. Então o questionamento: por que não comprar? E você deseja ainda mais o dinheiro.

Conforto, boa comida, bebidas, roupas, imóveis. E o desejo tornar-se mais forte. A vida é curta e algumas pessoas conseguem juntar tanto papel e coisa que daria para viver milhares de vidas. Elas juntam jóias. Elas juntam carros. Banham-se em piscinas de luxo e compram “amigos”. E o dinheiro parece uma fantasia. Desperta sonhos. Prazeres. Inveja. Ódio. Ele é maravilhoso. Ele é mau. E a dúvida. E o desejo, mais e mais e mais.

Então vamos trabalhar de domingo a domingo. Empregados de um mundo que trata gente como máquina. Nem pense em pedir férias, pois se fizer isso o dinheiro ficará curto. Você nem vai poder comprar aquele tênis de marca se ficar doente. Se desejar ainda mais já pode esquecer da cervejinha de sexta-feira. Folgas. Férias. Feriados. Tudo é perca de tempo. E o dinheiro não espera. Ele consome. Ele esmaga. Ele é o dinheiro, meu chapa.

 

O que estamos chamando de democracia, Brasil?

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 Por Indyra Tomaz

Depois de ser absorvido pelo Conselho de Ética, o presidente do senado Renan Calheiros (PMDB – AL) saí em silêncio do plenário, manifestando-se apenas momentos seguintes. Em seu discurso Renan diz a seguinte frase para o resultado de seu julgamento: “O resultado da votação de hoje é uma vitória da democracia, mas é também o momento de refletir sobre as perdas que esse processo político provocou”.

O senador fora absorvido por causa dos 40 votos contra a cassação diante dos apenas 35 a favor. Para que fosse “condenado” Renan precisava de 41 votos do plenário, fato que não aconteceu dando ao reú o direito de continuar no poder e, ainda, exercendo a mesma democracia que falou em outro momento. Então Brasil, o que é mesmo democracia?

É hora da revisão: segundo o dicionário Aurélio, vulgarmente conhecido como “pai dos burros”, democracia significa um governo de todos. Logo, as decisões tomadas dentro do território nacional deveriam ter a participação da população, afinal, foi a mesma quem elegeu o senhor Renan Calheiros. Mas, bem ao contrário ao que o presidente do senado afirmou quando disse que mais uma vez a democracia funcionou, isso de fato não aconteceu. Onde foi mesmo que o povo entrou? Será mesmo que era esse o resultado esperado pela população?A cara dos brasileiros está pintada de palhaço e as nossas leis só funcionam de acordo com o interesse de poucos.

Há exatos 2 anos atrás o nosso país funcionava no ritmo dessa tal democracia, pois pedia para que cada um dos brasileiros, já eleitores, decidisse sobre o desarmamento ou não da população. O nome dado ao ato foi o de Referendo. As campanhas publicitárias estavam por todo canto; rádio, televisão, Internet. O Governo pedia para que os brasileiros não deixar de votar. O povo foi lá e votou. Decidiu pelo não desarmamento. Mas será que essa não foi mais uma forma de maquiar a participação popular sobre a democracia?

Eita Brasil, mas uma vez atos de corrupção são absorvidos. A frase, “acabou em pizza”, anda sendo bem comum nos quadros políticos brasileiros. Os cidadãos brasileiros já estão acostumados. Dinheiro em cueca, ministros gastando a verba pública em casas de prostituição, são sanguessugas, corrupção das ambulâncias. A mídia pressiona, as manchetes diárias retratam toda a situação do Brasil. A gente brinca. Deixa que isso seja tema de programas de humor e, o pior, a gente senta, vê e desliga a televisão como se nada estivesse acontecendo. Mas a gente não participa. Nós estamos “menores” diante da situação.

No próximo ano teremos eleições municipais. O discurso eu até já posso vê: “faremos isso, lutaremos contra aquilo, trabalharemos às claras, seremos democráticos”; e mais uma vez irão usar a palavra democracia em vão. E a gente vai gostar de ouvir, porque temos a memória fraca para o que realmente é importante. Eles vão fazer programas de suas candidaturas com lindas imagens. Irão nos pedir desculpas e a gente vai aceitar, eles sabem que somos difíceis de lembrar. A imprensa, bem, para quem melhor pagar ela vai funcionar. Denúncias. Agressões. Eu já posso até vê. Agora, cuidado Brasil para não esquecer o significado da democracia.

Mas na verdade, sobre o que mesmo estávamos falando? 

 

Se a educação fosse tão vigiada como o futebol…

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Por Indyra Tomaz

É ano de Copa do mundo. A seleção Brasileira de Futebol é a mais bem vista por todo o mundo, tanto pelo bom futebol, como pelos cinco títulos de campeã.Todo o cotidiano dos brasileiros é programado para que nenhum lance seja perdido. O banco fecha mais cedo. Os supermercados aproveitam a boa época e fazem ótimas promoções de cerveja e carne. Eles vendem tudo. O trânsito parece uma loucura, pois todos desejam chegar em casa cedo para vestir a camisa verde e amarela, colocar a cerveja pra gelar, ajeitar a sala e esperar os amigos chegar. É Copa do Mundo e a seleção brasileira vai jogar. E a emoção será total, afinal, os adversários são os argentinos.

É sempre assim em ano de Copa do Mundo ou quando a seleção brasileira joga. Os brasileiros ficam atentos a todos os detalhes, parecem rigorosos fiscais com o andamento dos jogadores, do técnico. Há questionamentos. O povo fica unido e veste a mesma camisa da situação. Há preocupação sobre todos os assuntos. E pior de tudo, para tanta euforia, as escolas também reduzem as suas aulas. O conteúdo, já reduzido naturalmente, fica ainda menor e limitado. A direção, os coordenadores, os professores, todos estão ansiosos para vê o jogo da seleção.

Já pensou se a educação fosse tão vigiada como o futebol é? Será que estaríamos vendo a Avaliação da Aprendizagem em conformidade com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB sendo tão debatida em comerciais do Governo Federal? Será que estaríamos diante de alto índice de evasão escolar? Essas e outras infinitas questões ficam sempre sem resposta.

A educação me deixa muito preocupada. Não, talvez não a educação, mas a falta de cuidado e atenção de nós, brasileiros, com ela. Ela está esquecida e os resultados desse esquecimento está sendo responsável pela aumento de crianças e adolescentes nas ruas, no tráfico, na prostituição, em todos os lugares, menos dentro da sala de aula.

Se o Ronaldinho troca de namorada, ou o Kaká tem um novo patrocinador, ou o Robinho está com problemas de saúde (não que ele esteja, é apenas um exemplo) todos os brasileiros sabem informar e ainda, dão palpite, participam e se preocupam se esses fatos irão deixar a equipe desestruturada no próximo jogo. E, ao lado de tal preocupação, a educação fica aqui repetindo mais um ano de mesmos problemas e falta de apoio.

É preciso dar mais tempo para a educação atuar. Colocar a falta de interesse das autoridades e da população para escanteio. O juiz, nós brasileiros, precisa ser mais rígido e atencioso com as faltas que estão passando sem serem percebidas. Alguém, senão todos, tem que vestir a camisa de apoio e, cada um fazer o papel de técnico. Chamar a atenção. Saber porquê está faltando livros e sobrando violência nas escolas. Gritar. Xingar se for preciso. Querer o melhor do time (crianças, adolescentes, professores, pais). Criar boas jogadas, para que em vez de termos o final da partida, construirmos um começo com o melhor time.

O problema já está sendo apontado. A educação anda com dificuldades para se reconhecer. As escolas já não sabem como caminhar sem as famílias. Então vamos olhar com dedicação para essa seleção, onde os jogadores estão cansados de esperar por uma torcida que nunca está presente. Por um Governo que parece ter outras prioridades, como acordos internacionais e, principalmente, por cada um que é brasileiro e que sofre com esse abandono.